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Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga
Nitai Gaura Hari Bol

Srimad Bhagavatam
(de Krishna Dwaipayana Vyasa - Srila Vyasadeva)

pela Divina Graça
de
Sri Srimad Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada
Paramahamsa Thakura Mahashaya

(Original Sem "correções")

 

Terceiro Canto

O Status Quo

-.-

Capítulo 03

Os Passatempos do Senhor Fora de Vrindavana

Verso 1

uddhava uväca
tataù sa ägatya puraà sva-pitroç
cikérñayä çaà baladeva-saàyutaù
nipätya tuìgäd ripu-yütha-näthaà
hataà vyakarñad vyasum ojasorvyäm

Sri Uddhava disse: Assim o Senhor Krishna foi para a Cidade de Mathura com Sri Baladeva, e para satisfazer Seus pais Eles arrastaram Kamsa, o líder dos inimigos públicos, para baixo de seu trono e o mataram, Eles o puxaram para o chão com grande força.

Iluminação de Srila Prabhupada:

A morte do Rei Kamsa é descrita aqui apenas abreviadamente porque esses passatempos são descritos vividamente e elaboradamente no Décimo Canto. O Senhor provou ser um filho digno de Seus pais mesmo com a idade de dezesseis anos. Ambos irmãos, Senhor Krishna e Senhor Baladeva, foram para Mathura de Vrindavana e mataram Seu tio materno, que deu muita dificuldade para Seus pais, Vasudeva e Devaki. Kamsa era um gigante grande, e Vasudeva e Devaki nunca pensaram que Krishna e Balarama (Baladeva) fossem capazes de matar um inimigo grande e forte desse. Quando os dois irmãos atacaram Kamsa no trono, Seus pais temeram que agora Kamsa finalmente teria a oportunidade para matar seus filhos, que eles esconderam por tanto tempo na casa de Nanda Maharaja. Os pais do Senhor, por causa da afeição paternal, sentiram perigo extremo, e eles quase desmaiaram. Justamente para convencê-los que Eles tinham matado Kamsa, Krishna e Balarama puxaram o corpo morto de Kamsa pelo chão para encorajá-los.

Verso 2

sändépaneù sakåt proktaà
brahmädhétya sa-vistaram
tasmai prädäd varaà putraà
måtaà païca-janodarät

O Senhor aprendeu todos os Vedas com seus diferentes ramos simplesmente por ouvi-los uma vez de Seu professor, Sandipani Muni, quem Ele recompensou por trazer de volta seu filho morto da região de Yamaloka.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Ninguém além do Supremo Senhor pode se tornar bem versado em todos os ramos da sabedoria Védica simplesmente por ouvir uma vez de seu professor. Nem ninguém pode trazer um corpo morto de volta à vida depois que a alma já foi para a região de Yamaraja. Mas o Senhor Krishna aventurou-Se para o planeta de Yamaloka e encontrou o filho morto de Seu professor e o trouxe de volta para seu pai como recompensa pelas instruções recebidas. O Senhor é constitucionalmente bem versado em todos os Vedas, e mesmo assim para ensinar por exemplo que todos devem ir para aprender os Vedas de um professor autorizado e deve satisfazer o professor por serviço e remuneração, Ele mesmo em Pessoa adotou esse sistema. O Senhor ofereceu Seus serviços para Seu professor, Sandipani Muni, e o muni, que conhecia o poder do Senhor, pediu algo que é impossível de ser feito por qualquer outro. O professor pediu que seu filho amado, que tinha morrido, fosse trazido de volta para ele, e o Senhor cumpriu a solicitação. O Senhor não é, dessa forma, um ingrato com ninguém que presta para Ele alguma sorte de serviço. Os devotos do Senhor que sempre se dedicam no Seu serviço amoroso nunca ficam desapontados na marcha progressiva do serviço devocional.

Verso 3

samähutä bhéñmaka-kanyayä ye
çriyaù savarëena bubhüñayaiñäm
gändharva-våttyä miñatäà sva-bhägaà
jahre padaà mürdhni dadhat suparëaù

Atraídos pela beleza e fortuna de Rukmini, a filha do Rei Bhishmaka, muitos grandes príncipes e reis se reuniram para casar com ela. Mas o Senhor Krishna, passou por cima de todos candidatos esperançosos, e a levou embora como Sua própria parte, do mesmo modo que Garuda levou embora néctar.

Iluminação de Srila Prabhupada:

A princesa Rukmini, a filha do Rei Bhishmaka, era na realidade tão atraente como a própria fortuna em si porque ela era tão valiosa quanto ouro em cor e em valor. Porque a deusa da fortuna, Lakshmi, é a propriedade do Supremo Senhor, Rukmini era na realidade destinada para o Senhor Krishna. Porém Shishupala foi selecionado como seu noivo pelo irmão mais velho de Rukmini, embora o Rei Bhishmaka quisesse que sua filha casasse com Krishna. Rukmini convidou Krishna para libertá-la das garras de Shishupala, assim quando o noivo, Shishupala, chegou lá com seu partido com o desejo de casar com Rukmini, Krishna de súbito a tirou de cena, por pisar na cabeça de todos os príncipes presentes ali, justamente igual Garuda levou o néctar embora das mãos dos demônios. Esse incidente será explicado claramente no Décimo Canto.

Verso 4

kakudmino 'viddha-naso damitvä
svayaàvare nägnajitém uväha
tad-bhagnamänän api gådhyato 'jïäï
jaghne 'kñataù çastra-bhåtaù sva-çastraiù

Por dominar sete touros cujos narizes não eram perfurados, o Senhor obteve a mão da Princesa Nagnijiti na competição aberta para selecionar seu noivo. Embora o Senhor foi vitorioso, Seus competidores pediram a mão da princesa, e assim teve uma luta. Bem equipado com armas, o Senhor matou ou feriu todos eles, mas Ele mesmo não Se feriu.

Verso 5

priyaà prabhur grämya iva priyäyä
vidhitsur ärcchad dyutaruà yad-arthe
vajry ädravat taà sa-gaëo ruñändhaù
kréòä-mågo nünam ayaà vadhünäm

Justamente para agradar Sua querida esposa, o Senhor trouxe de volta a árvore parijata do paraíso, justamente igual um marido ordinário faria. Mas Indra, o Rei do paraíso, induzido por suas esposas (dominado pela esposa do jeito que ele era), correu atrás do Senhor com força plena para combatê-Lo.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor certa vez foi para o planeta celestial para presentear um brinco para Aditi, a mãe dos semideuses, e Sua esposa Satyabhama também foi com Ele. Existe uma árvore especial com floração chamada a parijata, que cresce somente nos planetas celestiais, e Satyabhama queria essa árvore. Justamente para satisfazer Sua esposa, como um esposo ordinário, o Senhor trouxe de volta a árvore, e isso enfureceu Vajri, ou o controlador do raio. As esposas de Indra o inspiraram para correr atrás do Senhor para lutar, e Indra, porque ele era um esposo dominado pela esposa e também um tolo, deu ouvidos a elas e ousou lutar contra Krishna. Ele foi um tolo nessa ocasião porque esqueceu que tudo pertence ao Senhor.

Não houve nenhum erro por parte do Senhor, mesmo embora Ele levou embora a árvore do reino celestial, mas porque Indra era dominado pela esposa, dominado por suas belas esposas tal qual Shachi, virou um idiota, justamente igual todas pessoas que são dominadas por suas esposas são geralmente idiotas. Indra pensou que Krishna fosse um marido dominado pela esposa que unicamente pelo desejo da Sua esposa Satyabhama levou a propriedade do paraíso, e por isso ele achou que Krishna podia ser punido. Ele esqueceu que o Senhor é o proprietário de tudo e não pode ser dominado pela esposa. O Senhor é plenamente independente, e por Sua vontade unicamente Ele pode ter centenas de milhares de esposas iguais Satyabhama. Ele não estava, por isso, apegado a Satyabhama porque ela era uma bela esposa, mas Ele estava satisfeito com o serviço devocional dela e assim queria reciprocar a devoção imaculada de Seu devoto.

Verso 6

sutaà mådhe khaà vapuñä grasantaà
dåñövä sunäbhonmathitaà dharitryä
ämantritas tat-tanayäya çeñaà
dattvä tad-antaù-puram äviveça

Narakasura, o filho de Dharitri, a Terra, tentou agarrar o céu inteiro, e por causa disso ele foi morto pelo Senhor numa luta. Sua mãe então rogou para o Senhor. Isso conduziu para o retorno do reino para o filho de Narakasura, e assim o Senhor entrou na casa do demônio.

Iluminação de Srila Prabhupada:

É dito em outros puranas que Narakasura era o filho de Dharitri, a Terra, pelo Senhor Ele mesmo. Um ateísta é chamado um demônio, e é um fato que mesmo uma pessoa nascida de bons pais pode se tornar um demônio por má associação. Nascimento não é sempre critério de bondade; a menos que e até que alguém seja treinado na cultura da boa associação, não pode se tornar bom.

Verso 7

taträhåtäs tä nara-deva-kanyäù
kujena dåñövä harim ärta-bandhum
utthäya sadyo jagåhuù praharña-
vréòänuräga-prahitävalokaiù

Lá dentro da casa do demônio, todas as princesas raptadas por Narakasura imediatamente ficaram alertas quando viram o Senhor, o amigo do aflito. Elas olharam para Ele com entusiasmo, alegria e recato e se ofereceram para ser Suas esposas.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Narakasura raptou muitas filhas de grandes reis e as manteve aprisionadas dentro de seu palácio. Mas quando ele foi morto pelo Senhor e o Senhor entrou na casa do demônio, todas as princesas ficaram animadas com alegria e ofereceram para se tornarem Suas esposas porque o Senhor é o único amigo do aflito. A menos que o Senhor as aceitasse, não haveria chance para elas se casarem porque o demônio as raptou da custódia de seus pais e por isso ninguém concordaria em casar com elas. De acordo com a sociedade Védica, meninas são transferidas da custódia do pai para a custódia do esposo. Porque essas princesas já foram levadas embora da custódia dos pais, seria difícil para elas terem qualquer marido outro além do Senhor Ele mesmo.

Verso 8

äsäà muhürta ekasmin
nänägäreñu yoñitäm
sa-vidhaà jagåhe päëén
anurüpaù sva-mäyayä

Todas aquelas princesas foram alojadas em apartamentos diferentes, e o Senhor simultaneamente assumiu diferentes expansões corpóreas exatamente correspondente a cada e toda princesa. Ele aceitou suas mãos em rituais perfeitos por Sua potência interna.

Iluminação de Srila Prabhupada:

No Brahma Samhita (5.33) o Senhor é descrito a seguir em relação com Suas expansões plenárias inumeráveis:

advaitam acyutam anädim ananta-rüpam
ädyaà puräëa-puruñaà nava-yauvanaà ca
vedeñu durlabham adurlabham ätma-bhaktau
govindam ädi-puruñaà tam ahaà bhajämi

"O Senhor, Govinda, o qual eu adoro, é a Personalidade de Deus original. Ele não é diferente de Suas inumeráveis expansões plenárias, que são todas infalíveis, originais e ilimitadas e que possui formas eternas. Embora Ele seja primordial, a personalidade mais velha, Ele é sempre novo e jovem". Por Sua potência interna o Senhor pode Se expandir em várias personalidades de svayam-prakasa e novamente em formas prabhava e vaibhava, e todas elas não são diferentes uma da outra. As formas na quais o Senhor expandiu para casar com as princesas em diferentes apartamentos eram todas levemente diferentes justamente para combinar com cada e todas elas. Elas são chamadas formas vaibhava-vilasa do Senhor e são efetivas por Sua potência interna, yoga-maya.

Verso 9

täsv apatyäny ajanayad
ätma-tulyäni sarvataù
ekaikasyäà daça daça
prakåter vibubhüñayä

Justamente para Se expandir de acordo com Suas características transcendentais, o Senhor gerou em cada e todas elas dez filhos com exatamente Suas próprias qualidades.

Verso 10

käla-mägadha-çälvädén
anékai rundhataù puram
ajéghanat svayaà divyaà
sva-puàsäà teja ädiçat

Kalayavana, o Rei de Magadha e Salva atacaram a cidade de Mathura, mas quando a cidade foi cercada pelos soldados deles, o Senhor absteve-Se de matá-los pessoalmente, justamente para mostrar o poder de Seus próprios homens.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Depois da morte de Kamsa, quando Mathura foi cercada pelos soldados de Kalayavana, Jarasandha e Salva, o Senhor pareceu fugir da cidade, e por isso Ele é conhecido como Ranchor, ou aquele que foge do combate. Na realidade, o fato era que o Senhor queria matá-los através da agência de Seus próprios homens, devotos tais quais Muchukunda e Bhima. Kalayavana e o Rei de Magadha foram mortos por Muchukunda e Bhima respectivamente, que agiram como agentes do Senhor. Por esses atos o Senhor queria exibir a proeza de Seus devotos, como se Ele estivesse pessoalmente incapaz para lutar mas Seus devotos podiam matá-los. O relacionamento do Senhor com Seus devotos é um muito feliz. Na realidade, o Senhor descendeu a pedido de Brahma com o propósito de matar todos indesejáveis do mundo, mas para dividir a quota de glória Ele às vezes engajou Seus devotos para levarem o crédito. A Batalha de Kurukshetra foi designada pelo Senhor Ele mesmo, mas justamente para dar crédito para Seu devoto Arjuna (nimitta-matram bhava savyasacin), Ele fez o papel de condutor, enquanto Arjuna teve a chance de interpretar o lutador e assim se tornar o herói da Batalha de Kurukshetra. O que Ele quer fazer Ele mesmo por Seus planos transcendentais, Ele executa através de Seus devotos confidenciais. Esse é o modo da misericórdia do Senhor em direção a Seus devotos puros imaculados.

Verso 11

çambaraà dvividaà bäëaà
muraà balvalam eva ca
anyäàç ca dantavakrädén
avadhét käàç ca ghätayat

Dos reis tais quais Shambara, Dvivida, Bana, Mura, Balvala e muitos outros demônios, tal qual Dantavakra, alguns Ele matou Ele mesmo, e alguns Ele causou serem mortos por outros (Sri Baladeva etc.).

Verso 12

atha te bhrätå-puträëäà
pakñayoù patitän nåpän
cacäla bhüù kurukñetraà
yeñäm äpatatäà balaiù

Então, ó Vidura, o Senhor causou todos os reis, ambos os inimigos e aqueles no lado de seus sobrinhos guerreiros, serem mortos na Batalha de Kurukshetra. Todos aqueles reis eram tão grandes e fortes que a terra parecia tremer à medida em que atravessavam o campo de batalha.

Verso 13

sa karëa-duùçäsana-saubalänäà
kumantra-päkena hata-çriyäyuñam
suyodhanaà sänucaraà çayänaà
bhagnorum ürvyäà na nananda paçyan

Duryodhana foi despojado de sua fortuna e duração de vida por causa da complexidade do mau conselho dado por Karna, Dushasana e Saubala. Quando ele caiu no chão com seus seguidores, suas coxas quebradas apesar de ser poderoso, o Senhor não ficou feliz de ver a cena.

Iluminação de Srila Prabhupada:

A queda de Duryodhana, o filho líder de Dhritarashtra, não foi agradável para o Senhor, embora Ele estivesse do lado de Arjuna e foi Ele que aconselhou Bhima sobre como quebrar as coxas de Duryodhana enquanto a luta continuava. O Senhor fica constrangido de aplicar punição para o malfeitor, mas Ele não fica feliz de aplicar essas punições porque os seres vivos são originalmente Suas partes e parcelas. Ele é mais duro do que o raio para o malfeitor e mais macio do que a rosa para o fiel. O malfeitor é desviado por maus associados e por mau conselho, o qual vai contra os princípios estabelecidos da ordem do Senhor, e por isso ele fica sujeito a punição. O caminho mais seguro para felicidade é viver pelos princípios estabelecidos pelo Senhor e não desobedecer às Suas leis estabelecidas, que são promulgadas nos Vedas e nos Puranas para os seres vivos esquecidos.

Verso 14

kiyän bhuvo 'yaà kñapitoru-bhäro
yad droëa-bhéñmärjuna-bhéma-mülaiù
añöädaçäkñauhiëiko mad-aàçair
äste balaà durviñahaà yadünäm

(Depois da Batalha de Kurukshetra, o Senhor disse): A redução do grande fardo da Terra, dezoito aksauhinis, agora foi efetiva com a ajuda de Drona, Bhisma, Arjuna e Bhima. Mas o que é isso? Ainda existe o grande poder da dinastia Yadu, nascida de Mim mesmo, a qual pode ser um fardo ainda mais insuportável.

Iluminação de Srila Prabhupada:

É uma teoria errada que devido a um incremento na população o mundo se torna sobrecarregado e por isso existem guerras e outros processos de aniquilação. A Terra nunca fica sobrecarregada. As montanhas e oceanos mais pesados sobre a face da Terra sustentam mais seres vivos do que existem seres humanos, e não estão sobrecarregados. Se fosse feito um censo de todos seres vivos sobre a superfície da Terra, certamente seria encontrado que o número de humanos não é nem mesmo cinco por cento do número total de seres vivos. Se a taxa de nascimento de seres humanos incrementa, então a taxa de nascimento de outros seres vivos incrementa proporcionalmente. A taxa de nascimento de animais inferiores - animais, aquáticos, pássaros etc. - é muito maior do que a dos seres humanos. Existe um arranjo adequado para comida para todos os seres vivos por toda a Terra pela ordem do Supremo Senhor, e Ele pode arranjar mais e mais se realmente houver um incremento desproporcional de seres vivos.

Por isso, não há qualquer possibilidade de um incremento na população que cause um fardo. A Terra se torna sobrecarregada devido a dharma-glani, ou desempenho irregular do desejo do Senhor. O Senhor apareceu na Terra para refrear o incremento de malfeitores, e não o incremento da população, como é erroneamente exposto pelos economistas mundanos. Quando o Senhor Krishna apareceu, houve um incremento suficiente em malfeitores que violaram o desejo do Senhor. A criação material é destinada para satisfazer o desejo do Senhor, e Seu desejo é que as almas condicionadas que são incapazes para entrar no reino de Deus tenham uma chance para melhorar suas condições para entrar. O processo inteiro do arranjo cósmico é intencionado justamente para dar uma chance para as almas condicionadas entrarem no reino de Deus, e existe um arranjo adequado para sua manutenção pela natureza do Senhor.

Por isso, embora possa haver um grande incremento na população sobre a superfície da Terra, se as pessoas estiverem exatamente em linha com consciência de Deus e não forem malfeitores, esse fardo sobre a Terra é uma fonte de prazer para ela. Existem dois tipos de fardos. Existe o fardo da besta e o fardo do amor. O fardo da besta é insuportável, mas o fardo do amor é uma fonte de prazer. Srila Vishvanatha Chakravarti descreve o fardo do amor muito praticamente. Ele diz que o fardo do esposo sobre a jovem esposa, o fardo da criança no colo da mãe, e o fardo da fortuna para o empresário, embora verdadeiros fardos do ponto de vista do peso pesado, são fontes de prazer, e na ausência desses objetos pesados, pode-se sentir o peso da separação, que é mais pesado de suportar do que o verdadeiro peso do amor. Quando o Senhor Se referiu para o fardo da dinastia Yadu sobre a Terra, Ele Se referiu a algo diferente do que o fardo da besta. Os grandes números de membros familiares do Senhor Krishna contam para alguns milhões e eram certamente um grande incremento da população da Terra, mas porque todos eles eram expansões do Senhor Ele mesmo por Suas expansões plenárias, eles eram uma fonte de grande prazer para a Terra. Quando o Senhor Se referiu a eles em conexão com o fardo sobre a Terra, Ele tinha em mente seu desaparecimento iminente da Terra. Todos os membros da família do Senhor Krishna eram encarnações de diferentes semideuses, e eles tinham que desaparecer da superfície da Terra junto com o Senhor. Quando Ele Se referiu ao peso insuportável sobre a Terra em conexão com a dinastia Yadu, Ele Se referia ao fardo da separação deles. Srila Jiva Goswami confirma essa inferência.

Verso 15

mitho yadaiñäà bhavitä vivädo
madhv-ämadätämra-vilocanänäm
naiñäà vadhopäya iyän ato 'nyo
mayy udyate 'ntardadhate svayaà sma

Quando eles brigarem entre si, influenciados pela intoxicação, com seus olhos vermelhos igual cobre por causa da bebida (madhu), somente então eles desaparecerão; de outro modo, isso não será possível. No Meu desaparecimento, esse incidente acontecerá.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor e Seus associados aparecem e desaparecem pela vontade do Senhor. Eles não estão sujeitos às leis da natureza material. Ninguém era capaz para matar a família do Senhor, nem havia nenhuma possibilidade da morte natural deles pelas leis da natureza. O único meio, então, para o desaparecimento deles era o show montado de uma luta entre eles mesmos, como se fosse brigar na embriaguez devido à bebida. A suposta briga também aconteceria pela vontade do Senhor, de outro modo não haveria nenhuma causa para a luta deles. Justamente igual como Arjuna foi posto em ilusão por afeição familiar e por isso o Bhagavad-gita foi falado, assim a dinastia Yadu foi feita ficar embriagada pela vontade do Senhor, e nada mais. Os devotos e associados do Senhor são almas rendidas completamente. Assim eles são instrumentos transcendentais nas mãos do Senhor e podem ser usados de qualquer jeito o Senhor deseje. Os devotos puros também desfrutam esses passatempos do Senhor porque eles querem vê-Lo feliz. Devotos do Senhor nunca reivindicam individualidade independente; ao contrário, eles utilizam sua individualidade em busca dos desejos do Senhor, e essa cooperação dos devotos com o Senhor faz uma cena perfeita dos passatempos do Senhor.

Verso 16

evaà saïcintya bhagavän
sva-räjye sthäpya dharmajam
nandayäm äsa suhådaù
sädhünäà vartma darçayan

O Senhor Sri Krishna, assim pensando consigo mesmo, estabeleceu Maharaja Yudhisthira na posição de controle supremo do mundo com o propósito de mostrar a administração ideal no caminho da piedade.

Verso 17

uttaräyäà dhåtaù püror
vaàçaù sädhv-abhimanyunä
sa vai drauëy-astra-sampluñöaù
punar bhagavatä dhåtaù

O embrião do descendente de Puru gerado pelo grande herói Abhimanyu no ventre de Uttara, sua esposa, foi queimado pela arma do filho de Drona, porém depois ele foi protegido novamente pelo Senhor.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O corpo embriônico de Parikshit que estava em formação depois da gravidez de Uttara por Abhimanyu, o grande herói, foi queimado pela brahmastra de Asvatthama, mas um segundo corpo foi dado pelo Senhor dentro do ventre, e assim o descendente de Puru foi salvo. Esse incidente é a prova direta de que o corpo e o ser vivo, a fagulha espiritual, são diferentes. Quando o ser vivo toma abrigo no ventre de uma mulher pela injeção do sêmen de um homem, acontece uma emulsão das secreções masculina e feminina, e assim um corpo é formado do tamanho de uma ervilha, e gradualmente desenvolve em um corpo completo. Mas se o embrião em desenvolvimento é destruído de uma forma ou de outra, o ser vivo tem que tomar abrigo em outro corpo ou no ventre de outra mulher. O ser vivo particular que foi selecionado para ser o descendente de Maharaja Puru, ou os Pandavas, não era um ser vivo ordinário, e pela vontade suprema do Senhor ele foi destinado para ser o sucessor de Maharaja Yudhisthira. Por isso, quando Asvatthama destruiu o embrião de Maharaja Parikshit, o Senhor, pela Sua própria potência interna, entrou dentro do ventre de Uttara por Sua porção plenária justamente para dar assistência para o aspirante Maharaja Parikshit, que estava em grande perigo. Pelo Seu aparecimento dentro do ventre, o Senhor encorajou a criança e deu a ele proteção completa em um novo corpo pela Sua onipotência. Pelo Seu poder de onipresença Ele estava presente tanto dentro quanto fora de Uttara e outros membros da família Pandava.

Verso 18

ayäjayad dharma-sutam
açvamedhais tribhir vibhuù
so 'pi kñmäm anujai rakñan
reme kåñëam anuvrataù

O Supremo Senhor induziu o filho de Dharma a executar três sacrifícios do cavalo, e Maharaja Yudhisthira, que seguia Krishna constantemente, a Personalidade de Deus, protegeu e desfrutou a Terra, assistido pelos seus irmãos mais novos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Maharaja Yudhisthira era o representante monárquico ideal na Terra porque ele era um seguidor constante do Supremo Senhor, Senhor Krishna. Como está afirmado nos Vedas (Ishopanishad), o Senhor é o proprietário da criação cósmica manifestada, a qual presenteia uma chance às almas condicionadas para reviver sua relação eterna com o Senhor e assim ir de volta ao Supremo, de volta ao lar. O sistema inteiro do mundo material é arranjado com esse programa e plano. Qualquer um que violar o plano é punido pela lei da natureza, a qual atua pela direção do Supremo Senhor. Maharaja Yudhisthira foi empossado no trono da Terra como um representante do Senhor. Espera-se sempre que o rei seja o representante do Senhor. Monarquia perfeita necessita representação da vontade suprema do Senhor, e Maharaja Yudhisthira era o monarca ideal sobre esse princípio supremo. Tanto o rei quanto os súditos eram felizes no desempenho dos deveres mundanos, e assim proteção dos cidadãos e desfrute da vida natural, com cooperação plena da natureza material, seguia no reino de Maharaja Yudhisthira e seus descendentes dignos igual Maharaja Parikshit.

Verso 19

bhagavän api viçvätmä
loka-veda-pathänugaù
kämän siñeve dvärvatyäm
asaktaù säìkhyam ästhitaù

Simultaneamente, a Personalidade de Deus desfrutou vida na cidade de Dwaraka, estritamente em conformidade com os costumes Védicos da sociedade. Ele estava situado em desapego e conhecimento, como enunciado pelo sistema de filosofia Sankhya.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Enquanto Maharaja Yudhisthira foi o Imperador da Terra, o Senhor Sri Krishna era o Rei de Dwaraka e era conhecido como Dwarakadhisha. Igual outros reis subordinados, Ele estava sob o regime de Maharaja Yudhisthira. Embora o Senhor Sri Krishna seja o imperador supremo da criação inteira, enquanto Ele esteve nesta Terra Ele nunca violou os princípios das injunções Védicas porque são o guia para a vida humana. Vida humana regulada de acordo com os princípios Védicos, os quais se baseiam no sistema de conhecimento chamado filosofia Sankhya, é o verdadeiro caminho de desfrute das necessidades da vida. Sem esse conhecimento, desapego e costume, a assim chamada civilização humana não é nada mais do que uma sociedade animal de comer, beber, acasalar e desfrutar. O Senhor agia livremente, do modo como Ele desejava, mesmo assim pelo Seu exemplo prático Ele ensinou a não conduzir uma vida que vai contra os princípios de desapego e conhecimento. Obtenção de conhecimento e desapego, como foi discutido elaboradamente na filosofia Sankhya, é a verdadeira perfeição da vida. Conhecimento significa conhecer que a missão da forma humana de vida é finalizar todas as misérias da existência material e apesar de ter que satisfazer as necessidades corpóreas de uma forma regulada, tem-se que ficar desapegado de uma vida animal dessa. Satisfazer as demandas do corpo é vida animal, e satisfazer a missão da alma espiritual é a missão humana.

Verso 20

snigdha-smitävalokena
väcä péyüña-kalpayä
caritreëänavadyena
çré-niketena cätmanä

Ele estava lá em Seu corpo transcendental, a residência da deusa da fortuna, com Seu habitual rosto gentil e docemente sorridente, Suas palavras nectáreas e Seu caráter perfeito.

Iluminação de Srila Prabhupada:

No verso prévio está descrito que o Senhor Krishna, situado nas verdades da filosofia Sankhya, é desapegado de todos tipos de matéria. No verso presente é descrito que Ele é a residência da deusa da fortuna. Essas duas coisas não são contraditórias de jeito nenhum. O Senhor Krishna é desapegado da variedade da natureza inferior, mas Ele está dentro do desfrute eterno, bem-aventurado da natureza espiritual, ou Sua potência interna. Aquele que tem um pobre fundo de conhecimento não pode entender essa distinção entre as potências externa e interna. No Bhagavad-gita, a potência interna é descrita como a para prakrti. No Vishnu Purana também, a potência interna de Vishnu é descrita como para sakti. O Senhor nunca é desapegado da associação de para sakti. Essa para sakti e suas manifestações são descritas no Brahma Samhita (5.37) como ananda-cinmaya-rasa-pratibhavitabhih. O Senhor é eternamente feliz e consciente dentro do sabor derivado dessa bem-aventurança transcendental. Negação da variedade da energia inferior não necessita negação da bem-aventurança transcendental positiva do mundo espiritual. Por isso a gentileza do Senhor, Seu sorriso, Seu caráter e tudo relacionado a Ele são todos transcendentais. Essas manifestações da potência interna são a realidade, das quais a sombra material é apenas uma representação temporária da qual todos com conhecimento apropriado devem ser desapegados.

Verso 21

imaà lokam amuà caiva
ramayan sutaräà yadün
reme kñaëadayä datta-
kñaëa-stré-kñaëa-sauhådaù

O Senhor desfrutou Seus passatempos, tanto neste mundo quanto em outros mundos (planetas superiores), especificamente na associação da dinastia Yadu. Nas horas de lazer oferecidas pela noite, Ele desfrutou a amizade do amor conjugal com mulheres.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor desfrutou neste mundo com Seus devotos puros. Embora Ele seja a Personalidade de Deus e é transcendental a todo apego material, Ele mesmo assim exibiu muito apego por Seus devotos puros na Terra, e também para os semideuses que se dedicam no Seu serviço nos planetas celestiais como diretores delegados poderosos na administração de todas atividades materiais. Ele exibiu apego especial pelos Seus membros familiares, os Yadus, e também para Suas dezesseis mil esposas, que tiveram a oportunidade de encontrar com Ele nas horas de lazer da noite. Todos esses apegos do Senhor são manifestações da Sua potência interna, da qual a potência externa é apenas uma representação sombria. No Skanda Purana, Prabhasa-khanda, nos tópicos entre o Senhor Shiva e Gauri, há confirmação de Suas manifestações da potência interna. Há menção do encontro do Senhor com dezesseis mil meninas pastoras de vacas embora Ele seja o Hamsa (transcendental) Superalma e mantenedor de todos seres vivos. As dezesseis mil meninas pastoras de vacas são uma exibição das dezesseis variedades de potências internas. Isso será explicado mais elaboradamente no Décimo Canto. É dito que o Senhor Krishna é justamente igual à Lua e as donzelas potenciais internas são iguais às estrelas ao redor da Lua.

Verso 22

tasyaivaà ramamäëasya
saàvatsara-gaëän bahün
gåhamedheñu yogeñu
virägaù samajäyata

O Senhor ficou assim entretido na vida de casado por muitos e muitos anos, mas no fim Seu desapego da vida sexual efêmera foi manifestado plenamente.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Mesmo embora o Senhor nunca fica apegado a nenhum tipo de vida sexual material, como o professor universal Ele permaneceu um chefe de família por muitos e muitos anos, justamente para ensinar outros como se deve viver dentro da vida de casado. Srila Vishvanatha Chakravarti Thakura explica que a palavra samajayata significa "exibido plenamente". Em todas Suas atividades enquanto presente na Terra, o Senhor exibiu desapego. Isso foi plenamente explicado quando Ele quis ensinar por exemplo que qualquer um não deve permanecer apegado à vida de casado por todos os dias da sua vida. Deve-se naturalmente desenvolver desapego por questão de rotina. O desapego do Senhor da vida de casado não indica desapego de Seus associados eternos, as donzelas meninas pastoras de vacas. Porém o Senhor desejou finalizar Seu assim chamado apego pelos três modos da natureza material. Ele nunca pode ficar desapegado do serviço de Seus associados transcendentais tal qual Rukmini e outras deusas da fortuna, como descrito no Brahma Samhita (5.29): laksmi-sahasra-sata-sambrahma-sevyamanam.

Verso 23

daivädhéneñu kämeñu
daivädhénaù svayaà pumän
ko viçrambheta yogena
yogeçvaram anuvrataù

Todo ser vivo é controlado por uma força sobrenatural, e assim seu prazer sensual também está sob o controle dessa força sobrenatural. Ninguém, por isso, pode depositar sua fé nas atividades sensuais transcendentais do Senhor Krishna além daquele que se tornou um devoto do Senhor por prestar serviço devocional.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Como está afirmado no Bhagavad-gita ninguém pode entender o nascimento e atividades transcendentais do Senhor. O mesmo fato é aqui corroborado: ninguém além daquele que é iluminado pelo serviço devocional do Senhor pode entender a diferença entre as atividades do Senhor e aquelas de outros, que são controlados pela força sobrenatural. O prazer sensual de todos animais, humanos e semideuses dentro do âmbito do universo material é controlado pela força sobrenatural chamada prakrti, ou daivi-maya. Ninguém é independente na obtenção de prazer sensual, e todos dentro deste mundo material estão atrás de prazer sensual. Pessoas que estão elas mesmas sob o controle do poder sobrenatural não podem acreditar que o Senhor Krishna não está sob nenhum controle além de Si mesmo em matéria de prazer sensual. Elas não podem entender que Seus sentidos são transcendentais. No Brahma Samhita os sentidos do Senhor são descritos como onipotentes; ou seja, com qualquer sentido Ele pode executar as atividades de outros sentidos. Alguém que tem sentidos limitados não pode acreditar que o Senhor pode comer por Seu poder transcendental de audição e pode executar o ato da vida sexual simplesmente por olhar. O ser vivo controlado não pode nem mesmo sonhar com as atividades sensuais na sua vida condicionada. Mas simplesmente pelas atividades de bhakti-yoga, ele pode entender que o Senhor e Suas atividades são sempre transcendentais. Do modo como o Senhor diz no Bhagavad-gita (18.55), bhaktya mam abhijanati yavan yas casmi tattvatah: ninguém pode nem mesmo conhecer uma fração das atividades do Senhor se não for um devoto puro do Senhor.

Verso 24

puryäà kadäcit kréòadbhir
yadu-bhoja-kumärakaiù
kopitä munayaù çepur
bhagavan-mata-kovidäù

Certa vez, grandes sábios ficaram irritados por causa das atividades esportivas dos príncipes descendentes das dinastias Yadu e Bhoja, e assim, como desejado pelo Senhor, os sábios os amaldiçoaram.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Os associados do Senhor que faziam o papel de príncipes descendentes das dinastias Yadu e Bhoja não eram seres vivos ordinários. Não é possível que eles puderam ofender qualquer pessoa ou sábio santificado, nem poderiam os sábios, que eram todos devotos puros do Senhor, ficarem influenciados por ira por causa de qualquer das atividades esportivas dos príncipes nascidos nas dinastias sagradas de Yadu e Bhoja, onde o Senhor Ele mesmo apareceu como um descendente. A maldição dos príncipes pelos sábios foi outro passatempo transcendental do Senhor para fazer um show de raiva. Os príncipes foram amaldiçoados a fim de que qualquer um possa saber que mesmo os descendentes do Senhor, que nunca poderiam ser aniquilados por nenhum ato da natureza material, foram sujeitos a reações de ira por grandes devotos do Senhor. Deve-se por isso tomar grande cuidado e atenção para não cometer uma ofensa aos pés de um devoto do Senhor.

Verso 25

tataù katipayair mäsair
våñëi-bhojändhakädayaù
yayuù prabhäsaà saàhåñöä
rathair deva-vimohitäù

Poucos meses passaram, e então, confundidos por Krishna, todos descendentes de Vrishni, Bhoja e Andhaka que eram encarnações de semideuses foram para Prabhasa, enquanto aqueles que eram devotos do Senhor eternos não saíram mas permaneceram em Dwaraka.

Verso 26

tatra snätvä pitèn devän
åñéàç caiva tad-ambhasä
tarpayitvätha viprebhyo
gävo bahu-guëä daduù

Antes de chegar lá, todos eles tomaram banho, e com a água desse local de peregrinação eles ofereceram seus respeitos para os antepassados, semideuses e grandes sábios e assim os satisfizeram. Eles deram vacas para os brahmanas em caridade real.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Entre os devotos do Senhor existem várias divisões, principalmente nitya-siddhas e sadhana-siddhas. Os devotos nitya-siddha nunca caem para a região da atmosfera material, mesmo embora às vezes eles vêm para o plano material a fim de executar a missão do Senhor. Os devotos sadhana-siddha são escolhidos das almas condicionadas. Entre os devotos sadhana, existem devotos misturados e puros. Os devotos misturados são às vezes entusiasmados sobre atividades lucrativas e são habituados à especulação filosófica. Os devotos puros são livres de todas essas misturas e são completamente absortos no serviço do Senhor, sem levar em conta de como e onde estão situados. Devotos puros do Senhor não são entusiasmados sobre deixar de lado seu serviço para o Senhor a fim de irem visitar lugares sagrados de peregrinação. Um grande devoto do Senhor nos tempos modernos, Sri Narottama Dasa Thakura, cantou dessa forma: "Visitar lugares sagrados de peregrinação é uma outra confusão da mente porque serviço devocional do Senhor em qualquer lugar é a última palavra em perfeição espiritual".

Para devotos puros do Senhor que estão completamente satisfeitos com o serviço amoroso transcendental do Senhor, dificilmente existe qualquer necessidade para visitar os vários lugares de peregrinação. Porém aqueles que não são tão avançados têm os deveres prescritos de visitar lugares de peregrinação e executar rituais regularmente. O partido da ordem dos príncipes da dinastia Yadu que foi para Prabhasa executou todos deveres a serem feitos num lugar de peregrinação e ofereceram suas ações piedosas para seus antepassados e outros.

Como uma regra, cada ser humano está em dívida com Deus, os semideuses, grandes sábios, outros seres vivos, pessoas em geral, antepassados etc., por várias contribuições recebidas deles. Por isso cada um é obrigado a pagar a dívida de gratidão. Os Yadus que foram para o lugar de peregrinação Prabhasa realizaram seus deveres por distribuir terra, ouro, e vacas bem nutridas em caridade real, como descrito no verso seguinte.

Verso 27

hiraëyaà rajataà çayyäà
väsäàsy ajina-kambalän
yänaà rathän ibhän kanyä
dharäà våtti-karém api

Para os brahmanas não foi dado apenas vacas bem nutridas em caridade, mas também ouro, moedas de ouro, roupa de cama, roupas, assentos de pele de animais, cobertores, cavalos, elefantes, meninas e terra suficiente para manutenção.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Todas essas caridades foram destinadas para os brahmanas, cujas vidas eram inteiramente devotadas para o bem-estar da sociedade, tanto espiritualmente quanto materialmente. Os brahmanas não prestavam seus serviços como servidores pagos, porém a sociedade os provia com todas necessidades. Foi arranjado para alguns dos brahmanas, que estavam com dificuldade para o casamento, receberem meninas. Os brahmanas, dessa forma, não tinham nenhum problema econômico. Os reis ksatriyas e comerciantes ricos os proviam com tudo aquilo que precisavam, e em troca os brahmanas eram completamente devotados para a elevação da sociedade. Assim era o modo de cooperação social entre diferentes castas. Quando a classe ou casta brahmana gradualmente se tornou indolente, alimentada pela sociedade apesar de não terem qualificações brahmanas, eles se degradaram em brahma-bandhus, ou brahmanas desqualificados, e assim outros membros da sociedade também caíram gradualmente do padrão social da vida progressiva. Como está descrito no Bhagavad-gita, o sistema de casta é a criação do Senhor e é arranjado de acordo com a qualidade do trabalho prestado para sociedade e não em termos de direito de nascimento, como reivindicado falsamente na presente sociedade degradada.

      

     

 

 

 

     

      

Continua em breve...

     

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